O SAARA AMEAÇA INVADIR TERRAS FÉRTEIS DE MALI

Pequenas vilas rurais com moradias de barro, abrigam quem trabalha nas plantações de arroz.

REPÚBLICA DO MALI  – DESERTO SEM FIM 

Texto adaptado “Revista Horizonte”, dezembro 2009. Por Sergio Adeodato.

A VIDA, A CULTURA E AS AMEAÇAS NO PAÍS DA ÁFRICA QUE JÁ SOFRE COM O AQUECIMENTO GLOBAL.

O texto fala sobre a república do Mali, um dos países mais pobre do mundo ocupado em sua faixa norte pelo deserto do Saara. Chegar lá é uma aventura perigosa, com tempestades de areia, pilhagem de terroristas do Al Qaeda refugiados no deserto desabitado. Mas algo ameaçador acontece naquela paisagem inóspita, as ações do homem em todo o planeta. O deserto está aumentando. As causas prováveis, de acordo com cientistas da Organização meteorológica Mundial, vêm do homem: o aquecimento global.

Na região de Mopti, na parte mais alta ao sul do deserto em território maliano, a temperatura média atual é 1ºC mais quente que 50 anos atrás, afirmam os cientistas.

A desertificação atinge em cheio o rio Níger, um dos maiores e mais importantes da África. Suas águas nascem nas montanhas da fronteira da Guiné com Serra Leoa e percorrem 4.180 km até atingir o Atlântico, sendo fonte de abastecimento e irrigação de cultivos.

Desde a década de 1970, as chuvas diminuíram 20%, reduzindo o volume dos rios pela metade. O Níger perde por ano 30 bilhões de metros cúbicos de água e, minguado entope com os sedimentos que escorrem das plantações, agravando os efeitos da desertificação. A região do delta, a mais importante planície alagável do oeste africano, encolheu 50%.

As mudanças no ambiente espalham doenças endêmicas, como a malária, para regiões antes imunes.

Mali tenta se preparar em mudar a cultura da nova geração nas práticas agrícolas. A ONG Mali Folk Center em parceria com o governo tentam demonstrar para os jovens que é possível produzir de maneira limpa. Segundo a geógrafa Oumon Dicko, responsável pela escola. “O desafio é recuperar práticas agrícolas antigas, como o aproveitamento da água da chuva, perdida no tempo pelo uso massivo de poços subterrâneos.”

Mali tornou-se independente da França, na década de 1960. Tinha na época 3 milhões de habitantes. Hoje são mais de 12 milhões e 85% dependem dos modelos tradicionais de produção no campo. ”Plantar árvores, reduzindo a área produtiva, é visto como insulto aos chefes das comunidades” explica Michel Cadalen, coordenador do programa de Cooperação bilateral Mali-Luxemburgo.

Outra questão é a corrupção. “Pelo menos 10% da ajuda internacional que chega a Mali é desviada pela corrupção”, lamenta Cadalen.

Mais imagens em www.horizontegeografico.com.br                              Por Elisabete Vargas

O rio Níger, um dos maiores da África, na região de Mopti, sofre processo de desertificação na sua bacia.

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